VINCULAÇÃO PAIS / FILHO
Com o parto há uma separação fisiológica da mãe e do bebé e este tem de estar preparado para uma série de sensações, sentimentos e emoções que se desenrolam. Há toda uma adaptação que vai decorrer desta situação.
Depois do nascimento o contacto íntimo não é interrompido, mas sim continuado com o envolvimento, pelos braços da mãe, o contacto pele com pele, o cheiro do corpo, a visão da face, a audição dos sons da voz dos pais, e com o aleitamento materno, designado por alguns autores de “ vinculação primária ”.
Com o nascimento do bebé há uma fase de descoberta progressiva dos pais e do bebé, havendo um contacto forte e único na continuidade da relação pais/filho. Não esquecendo que cada bebé é um ser diferente e têm de se adaptar a ele e vice-versa.
De acordo com RAMOS (2004:163) “ É a necessidade e satisfação primária de contacto e afecto, e a segurança encontrada nos braços da mãe, do pai ou de outros adultos cuidadores, que permitem à criança construir-se psiquicamente, autonomizar-se e desenvolver-se saudavelmente.”
Outro modo de comunicação inerente ao bebé é o chorar, tocar, acariciar, sorrir; e o tocar, beijar, abraçar, cheirar, falar, cantar, por parte dos pais.
A amamentação favorece muito a vinculação mãe-filho, pois o acto de amamentar é também uma forma de comunicar.
Referenciando PEDRO (1985:87) “a ideia contemporânea de «ligação» é a de um processo pela qual os pais (embora habitualmente seja só a mãe considerada) ficam ligados ao seu filho recém-nascido. O consenso geral é de que este processo ocorre nos primeiros dias de vida e, se porventura for alterado, origina consequências a longo prazo, para as relações sociais da criança e para o seu desenvolvimento em geral.”
BOWLBY (1990) refere que a qualidade dos cuidados parentais que uma criança recebe nos primeiros anos de vida, é de importância vital para a sua saúde mental futura. Sendo a relação com a mãe, enriquecida com as relações com o pai e irmãos; que se encontra na base do desenvolvimento harmonioso da personalidade.
Se momentaneamente não é possível a interacção entre o bebé e a mãe (separados por internamento em neonatologia, mãe muito doente, entre outras), ela pode instalar-se e desenvolver-se quando os dois se reencontrarem. Mas, neste caso, convém ter outra pessoa da família, de modo que o bebé desenvolva as suas capacidades perceptivas.
Os cuidados prestados pelos pais têm um papel crucial no desenvolvimento do bebé, pois é através dos cuidados quotidianos que os pais asseguram ao seu filho o apoio físico, psicológico e de segurança.
Em 2008 foi realizado um estudo na nossa unidade de internamento, que teve como objetivo conhecer as necessidades dos pais dos recém-nascidos. Com este estudo, e de modo a apoiar e esclarecer duvidas, surgiu a ideia de criar o blog.
Este blog permite dar resposta às dúvidas que possam surgir, quer pelos pais quer pelos familiares do recém-nascido para que se sintam apoiados e orientados pelos profissionais de saúde.
Este espaço constituirá um meio de partilha de informação entre profissionais de saúde e pais/família de modo a melhorar a atuação no cuidar dos recém-nascidos.
Assim sendo, este blog tem por objetivo apoiar os pais, estabelecendo formas de comunicação e articulação, mantendo uma linha direta de apoio ao recém-nascido/família.
Gostaríamos também de obter a colaboração dos pais no envio de histórias dos seus recém-nascidos, para o e-mail do nosso blog (neonatologia.setubal@gmail.com).
A equipa de Enfermagem da Unidade de Neonatologia do Centro Hospitalar de Setúbal dá as boas vindas a todos que queiram navegar connosco neste espaço, que pretende ser um local de informação e de educação para a saúde na área dos cuidados ao recém-nascido.
Consulte o nosso blog.